terça-feira, 8 de julho de 2014

Die Mannschaft

Eu aprendi a gostar de futebol de pequeno. Meu primeiro contato marcante foi o título de 2002. Acordava cedo – a Copa foi do outro lado do mundo – para ir para a casa do meu avô acompanhar a Seleção com minha família.

E vencemos. Eu lembro da festa, da felicidade, da união de um povo. Uma união que nenhuma igreja, nenhum partido, nem música nem qualquer forma de arte (ou esporte) consegue reproduzir.

Um país de quase 180 milhões de pessoas gritava em uníssono: “PENTACAM-PEÃO!"

Depois, muitas alegrias com o tricolor paulista, em sua grande época (2005-2008), consolidaram meu amor ao futebol.

Alemanha
Hoje assisti ao jogo da Alemanha em uma televisão na nossa sala de controle, ao lado de meus amigos e colegas de trabalho, no Itaquerão. Onde o Brasil ven-ceu a Croácia na abertura da Copa.

Surreal. Não sabia se era um pesadelo ou se realmente o time pelo qual eu tanto torci levava cinco gols em 10 minutos. Atrás de mim, meu chefe alemão sorria, feliz com seu país, mas respeitando profundamente o nosso pesar.

Assim como a seleção alemã respeitou o Brasil durante os 90 minutos. Em ne-nhum momento subestimaram, esnobaram ou zombaram dos brasileiros. Pelo contrário, permitiram que Oscar fizesse o gol de honra para os canarinhos, para depois voltarem a marcar corretamente.

Culpados
Procurar culpados é desgastante e inútil, além de falta de respeito com os atle-tas. Fred teve oportunidades e não conseguiu converter – assim como todos os outros. Isso não muda o fato de que ele chama a marcação para si na área e li-bera espaço para os demais.

Hulk não fez uma grande partida hoje – mas nas últimas duas foi um dos des-taques do time, e ninguém pode estar 100% sempre. Dante fez o que precisava ser feito; infelizmente, a Alemanha encontrou o caminho do gol e aproveitou os minutos de desequilíbrio brasileiro.

Thiago Silva levou um cartão bobo contra a Colômbia, e foi um desfalque impor-tante; mas até então, sempre um dos melhores em campo, quando não o melhor.

Felipão errou. No jogo e na escalação. Mas se não fosse ele, nem semifinais te-ríamos alcançado, com certeza. Dê valor na comissão técnica brasileira. Se eles não conseguiram resolver, não há quem pudesse.

Futebol é isso. Quando se entra em campo, sabe-se do risco de derrota. Podiam fazer como o Tigre, que na final da Sul-Americana de 2012 se recusou a entrar em campo contra o São Paulo. O Brasil, mesmo perdendo de cinco, voltou com fome de gols, esbarrando em Neuer.

Destaques
Melhor é consagrar os heróis da nossa Copa. Os sete gols indefensáveis que Júlio César levou hoje não apagam os dois pênaltis que conseguiu pegar contra o Chile. Aliás, mesmo contra a Alemanha teve uma atuação incrível.

Neymar não precisa se tornar um mártir pela mídia para ter seu mérito reco-nhecido. Ele jogou bem, e ainda terá mais copas pela frente para provar seu ta-lento. Fez falta hoje, com certeza.

Os dois jogadores símbolos da Seleção dessa geração com certeza estão ali no fundo, perto do gol. Thiago Silva, o capitão, e David Luiz – capitão. Sem eles não teríamos ido tão longe.

São os melhores zagueiros da Copa em minha humilde opinião, assim como Tim Howard, dos EUA, é o melhor goleiro (fiz essa comparação para não dizerem que estou puxando o saco do Brasil).

A grande vergonha do dia: fora de campo
Ao entrar na internet, vi as coisas horríveis que aconteceram pós-jogo. Brigas, prisões, ferimentos, depredações, vandalismo e a mais nojenta de todas: a quei-ma da bandeira do Brasil.

Como escrevi no começo, o futebol é uma paixão para mim. Pesquiso, acom-panho, discuto, jogo. Mas é um jogo, e eu encaro como tal. Ri das piadas dos alemães hoje no estádio, encarei com tristeza, mas sem raiva. Foi um jogo limpo. Um jogo.

Sinto muita pena de quem encara o Brasil apenas pela ótica da Seleção. Somos muito mais que futebol, isso é apenas uma parte de nossa enorme e diversi-ficada cultura. Somos o povo mais miscigenado do mundo. Nos damos bem em tudo que tentamos, sempre há um brasileiro que se destaca nos campos das artes, dos esportes, da mídia...

Queimar a bandeira é queimar tudo isso. Ela é o símbolo máximo da nação, a síntese do país. Quem fez isso, quem queimou ônibus, feriu outras pessoas, não merece ser chamado de cidadão. Não merece ser brasileiro.

Muito melhor ver as piadas no Facebook e no WhatsApp, uma mais criativa que a outra. Isso sim é o jeito brasileiro de encarar os problemas. Com graça, alegria, inovação. Com a capacidade de amenizar o choque, de fazer rir mesmo em um dia tão triste.

A Copa ainda é aqui. Nós podemos fazer melhor que isso.


De tão acostumado a vencer, o brasileiro ainda não aprendeu a perder?

domingo, 6 de julho de 2014

O fim está próximo

Desde que fomos selecionados para participar do workshop na PUC, em outubro, recebemos mensalmente, por e-mail, um jornal da empresa em que trabalhamos, o qual traz informações e notícias de todas os estádios e equipes que traba-lham para a realização da transmissão da Copa do Mundo.

Essa semana recebi um pedido para escrever um depoimento sobre essa experi-ência, meus aprendizados, o que levarei disso para a vida, para ser publicado na última edição desse periódico. Enfim, nada poderia melhor simbolizar a iminente chegada do fim.

O depoimento ficou meio genérico, puxei o saco da empresa, escrevi o que acre-dito que eles queiram publicar. Mas posso redigir aqui algumas linhas sobre o que realmente foi essa oportunidade para mim.

Trabalho
A empresa, de fato, é demais. Não consigo pensar em alguma outra que possa ser tão atenciosa com seus empregados, que disponibilize tantos recursos para que nos sintamos absolutamente confortáveis para desempenhar nossas funções.

Sério, nós temos Coca, cookies, Del Valle e barras de cereal de graça o dia in-teiro; ganhamos uma mala e uma mochila com vários conjuntos de uniformes – inclui colete, chapéu, calças, bermuda, moletom, jaqueta, camisetas e polos; temos o horário de trabalho mais flexível do mundo (combinado ao final de cada dia); podemos decidir entre nós como realizar cada tarefa... e assim vai, por inú-meras benesses diárias ao longo desse espaço de tempo.

Estrelas
Eu assisti com meus próprios olhos a Messi, Courtois, Neymar, Robben, David Luiz, Sneijder, Suárez, Hazard, Shaqiri, Alexis Sánchez e Modric, além dos muitos outros que estou injustamente deixando de fora.

Conheci, apertei a mão e tirei fotos com Datena, Denílson, Loco Abreu, Nivaldo Prieto, Ronaldo Giovanelli e Neto. Vi-os em ação, narrando e comentando, bem como a vários outros jornalistas esportivos top de linha.

São Paulo
Conheci vários lugares de São Paulo junto com meus colegas e aprendi a me locomover na terceira maior cidade do mundo. Acompanhei uma etapa do TCC de dois grandes amigos meus, que entrevistaram um conceituado jornalista espor-tivo aqui em São Paulo (essa experiência usarei daqui a dois anos, quando fizer o meu próprio trabalho!).

Entendi, ou pelo menos pude ver, como funciona a logística da organização do maior evento esportivo do mundo. Fiz, junto com os outros estagiários, o Ita-querão ficar pronto a tempo de receber a abertura da Copa – acreditem, isso aconteceu devido a muito, muito esforço nosso!

2014 para mim será eternamente o ano da Copa. O ano em que absorvi muito conhecimento em pouquíssimo tempo. Em que fiquei mais tempo fora de casa. Em que pude reavaliar quaisquer limites que porventura ainda não tivesse superado.

Última semana
E tudo isso acaba essa semana, meu contrato se encerra no dia 10 de julho. Amanhã, aliás, é nossa “formatura”! Alguns representantes da FIFA estarão em nosso ambiente de trabalho, dirão algumas palavras, nos entregarão um certi-ficado – o qual será imediatamente destacado em meu currículo.

Antes do fim, faremos o melhor jogo dos seis que tivemos o privilégio de acom-panhar: Argentina X Holanda. Desculpem-me todos, mas dessa vez torcerei para nuestros hermanos. Vamos reservar o melhor para o final – vencê-los nós mes-mos!

Meu trabalho acabará, mas a Copa ainda durará mais um pouco. Força, Brasil! Que essa seja a final das finais. Brasil X Argentina – sem medo de outro Mara-canazo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

FDS

Preciso me apropriar de um clichê para começar esse post: não há lugar como o lar.

Após o jogo da Bélgica X Coreia do Sul, voltei para minha terra, São João da Boa Vista, para rever minha família e meus amigos. Aproveitei até para sair à noite – estranho deixar de dar rolê em Sampa para andar em São João, não é? Mas foi muito bom!

Poder assistir ao jogo do Brasil em casa não teve preço. Tudo bem, estou vendo os jogos ao vivo, no estádio, é incrível e único. Mas passar a Copa inteira sem torcer pela Seleção ao lado da família? Não rola.

Além de tudo, tive a oportunidade de sair com uma grande amiga e conhecer um velho ídolo das revistas Guitar Player, a qual eu colecionei por vários anos – Edu Ardanuy. Vê-lo tocar guitarra na minha frente, e ensinar um pouco de tudo o que sabe, ali no Theatro Municipal maravilhoso de São João, foi memorável.

Também não faltou o fute com os parças, que era aquilo pelo que eu mais ansi-ava. Não estou tão fora de forma quanto pensava, ainda dá para brincar. Imagina após a Copa...

“Próxima estação: Sé.”
Depois que se pega mais ou menos o jeito da capital, a cidade pequena vira brincadeira... tive que rir quando atravessei a avenida mais “movimentada” de São João sem precisar esperar sequer um segundo na calçada.

E que falta o metrô faz! Está certo que não é nem de longe necessário na mi-nha cidade, mas já se tornou o meio de transporte mais eficiente de todos na minha opinião.  O uso diário fez com que o bicho de sete cabeças que eu imagi-nava que fosse tenha se tornado indispensável para uma boa locomoção.

Vale dizer que em horário de pico, a “hora do rush”, é um inferno, principal-mente próximo das baldeações. Quando se carrega malas ou sacolas então, es-tresse absoluto. Tirando isso, perfeito.

Hermanos
Nossos vizinhos estão no Shopping Itaquera comprando camisetas azuis e bran-cas. Com certeza, daqui a pouco o Itaquerão estará assim, dicromático, com al-guns pontos vermelhos nas arquibancadas.


Os últimos momentos das oitavas-de-final já estão acontecendo, e faremos Argentina X Suíça hoje! Como o tempo passa rápido. Talvez os posts desse blog adquiram um tom mais nostálgico nos próximos dez dias!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Vermelhos X Laranjas: a mecânica do serviço

Sim, lá estava Robben com seus 30 anos e duas Copas nas costas, correndo de modo a deixar para trás qualquer moleque. A Holanda começou o jogo com alguns erros infantis de passes, o Chile estudava muito antes de tomar uma decisão, mas... jogão.

Durante o segundo tempo cuidei da mixagem de nove emissoras licenciadas de rádio e TV, entre elas as brasileiríssimas Rádio Globo e Rádio Manchete – nas quais, claro, eu acompanhei o áudio da programação por mais tempo.

Se alguém tiver ouvido ao jogo por elas e tiver percebido as vozes muito baixas, ou cada uma em um volume diferente, é comigo que devem reclamar!

No mais, já aprendemos a lidar com os comentaristas, como o que reclama que o teste de áudio do PA está muito alto, o que quer separar seu canal dos outros dois comentaristas da mesma emissora ou o que acha que o sonido do estádio está apenas em seu fone. A paciência e o sorriso no rosto devem ser mantidos a todo custo.

Meu enferrujado espanhol dispara várias palavras em inglês, e eu tenho pedido sorry para os brasileiros. Inevitável que isso aconteça, cada pessoa com que se esbarra no corredor parece ser de um país diferente. Perguntas como “a que horas o stadium close?” ou “onde está a white tape?” ocorrem algumas vezes entre nós. Só nos resta rir e tentar entender.

Aniversário
Amanhã é meu aniversário e onde vou passar a comemoração? Sim, na Sala de Controle de Comentários (CCR). Como será a preparação para uma partida peque-na para a gente (não em termos de público ou importância), só entraremos às 13h, o que já é um excelente presente.

Mas afinal, como posso reclamar, se pude conhecer e tirar fotos com Denílson e Nivaldo Prieto dessa vez? Junte com as de Neto e Loco Abreu e tenho presen-tes inegociáveis e invendáveis – não, não vou dizer “e imprestáveis”!

Teremos um bom espaço de tempo entre o jogo Bélgica X Coreia e o do dia 1º. Planejo voltar novamente à São João, por três dias que seja, para rever o pes-soal, jogar um fute, renovar as energias e voltar com tudo para o jogo de terça.


Courtois e Hazard na quinta-feira. É o estágio dos sonhos.

sábado, 21 de junho de 2014

O Jogo da Morte

O segundo jogo cujos comentários ficaram sob nossa responsabilidade foi nada mais nada menos que o Jogo da Morte entre Uruguai e Inglaterra, no qual a es-trela de Suárez brilhou mais forte que a constelação inglesa.

Nosso trabalho foi absurdamente mais simples que o do primeiro jogo (Brasil X Croácia). Uma parte das tribunas de imprensa já foi removida do estádio, o que facilita nossa locomoção entre elas e agiliza nosso atendimento aos comenta-ristas. A única coisa que jogava contra era o frio gélido que nos atingia pelos ventos, ali na parte mais alta das arquibancadas.

Mas o jogo e a torcida incendiaram o campo de tal forma que nem se estivesse nevando eu deixaria meu posto lá fora durante o segundo tempo. Antes do gol de empate de Rooney a partida estava prestes a se tornar morna, mas depois daquele golaço, fruto de um posicionamento preciso do ataque inglês, tudo vol-tou ao clima de vencer ou sair da Copa.

A Inglaterra tornou-se eficiente de uma hora para a outra, penetrando na área adversária constantemente e com menos dificuldade. O Uruguai, no entanto, servindo-se de uma hora ruim da zaga britânica, mostrou porque tem a melhor dupla de ataque dessa edição (Suárez e Cavani) e despejou um balde de água fria nos torcedores ingleses.

Destaque para o verdadeiro show que a torcida uruguaia brindou aos jogadores, já que permaneceram em festa no Itaquerão por vários minutos após o apito final, pulando, cantando e celebrando a vitória nas arquibancadas – diferente-mente de certa torcida cuja seleção também saiu vitoriosa aqui em São Paulo, mas sem a mesma empolgação...

Neto e Loco Abreu
Dessa vez, aproveitei ao máximo a vantagem de estar no estágio dos sonhos de qualquer amante de esporte: conheci meus ídolos da área.

Temos cerca de duas horas depois de cada jogo para guardar os equipamentos disponibilizados aos comentaristas. Esse tempo é longo dessa maneira porque muitos precisam fazer links depois do término para falar da partida em algum programa.

Conforme as tribunas se esvaziavam, pude avistar o Neto, ícone do esporte nacional e do jornalismo esportivo pela Band. Continuei meu trabalho, mas marquei sua posição e passei a retirar só os aparelhos próximos de seu setor. Por sorte, esbarrei nele no vomitório, e pude tirar a foto – algo expressamente NÃO recomendado por meus chefes. Mas o jornalista (no meu caso, estudante de jornalismo) acima de tudo deve ser cara-de-pau. Pelo menos eu aprendi assim. Então aproveitei a oportunidade e tirei a selfie bem na hora em que um de meus supervisores passava. Ainda bem que ele é gente fina!

Outro que eu sabia que estava comentando a partida como convidado de uma TV uruguaia era Loco Abreu, que se destacou na Copa de 2010 pela famosa cavadinha em um pênalti decisivo para o Uruguai. Tirei uma foto dele conce-dendo uma entrevista antes do jogo e uma depois, comigo, também quando ele saía das tribunas. Essa eu dei o azar de tirar na frente do número 2 da empresa... mas por sorte ele também é mente aberta, e entendeu que eu não postaria ela publicamente, que era apenas uma relíquia.

Será que no próximo jogo rola alguma outra foto? Pode não parecer, mas co-nhecer esses caras e apertar suas mãos é realmente algo especial!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Finalmente, Brasil!

Vou deixar o post sobre a primeira semana de convivência na pousada para depois, para publicar dois mais urgentes antes... nada mudou radicalmente, não fará diferença!

Finalmente, Brasil!

O primeiro jogo sob nossa responsabilidade havia chegado. Um dia antes, as seleções de Brasil e Croácia já tinham feito os treinos no Itaquerão, enquanto nossa equipe realizava alguns testes de áudio, de modo que eu já tinha feito o primeiro contato com os jogadores – de longe, muito longe, não se enganem.

Mesmo assim, o coração bate mais forte. Ali estavam David Luiz, Neymar, Marcelo, Hulk, Júlio César... ali, na minha frente. Os jogadores que eu vejo na TV diariamente. É difícil de explicar. A ficha não cai.

Abertura
Ao sair de nossa sala de controle, podemos cruzar um corredor e sair nas tribunas de imprensa do estádio, nas arquibancadas que não são filmadas pela televisão. Acredito que lá haja a melhor vista de todas do campo, totalmente limpa e ampla, sem pontos cegos ou difíceis de avistar. O acesso se dá por meio dos vomitórios, as enormes entradas de ligação estádio-arquibancada.

Para ser justo com todo mundo, procuramos revezar: no primeiro tempo metade da equipe trabalha na sala de controle e metade no campo, auxiliando os comentaristas. No segundo tempo, invertemos.

No jogo do Brasil, fiquei durante o primeiro tempo na tribuna. Pude ver com meus próprios olhos a abertura, tão criticada pela imprensa em geral, mas ao mesmo tempo impressionante para quem estava lá. Passamos meses ouvindo a música-tema da Copa, e quando assistimos ao show com Cláudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull em um estádio com 60 mil pessoas, não pudemos ficar impassíveis (mesmo que a música não seja realmente grande coisa, e tenham usado um playback).

O que realmente toca o coração é o Hino Nacional. Confesso que chorei ao ouvi-lo, nunca estive em uma execução tão bonita. Todos sabiam que o Hino pararia e a torcida continuaria cantando, mas fazer parte é diferente. Isso marca.

Trabalho
Os comentaristas precisam de ajuda em coisas básicas, ocupam bem nosso tempo. Não vi o primeiro gol (contra, mas só fiquei sabendo disso depois), nem o segundo – esse vi mais ou menos, com o canto do olho. Mas comemorei bastante ao perceber a bola na rede!

Ser confundido com voluntário é praxe. Apesar de não fazer parte do nosso trabalho, acabamos por ajudar os locutores a encontrar suas posições, por exemplo, até porque temos o mapa já meio decorado na cabeça. Eles são muito gentis, inclusive, pelo menos a maioria.

No segundo tempo, fui para a sala de controle, onde tomamos conta da mixagem de 10 mesas de comentaristas ao mesmo tempo, cada um. Depois de ajustados uma vez, com o nível de voz de cada narrador balanceado, o trabalho se torna mais simples, embora precise de constante vigilância. Evidentemente, na hora do gol não há muito o que se fazer: os áudios – principalmente dos sul-americanos – vão todos para o vermelho.

Jogo da Morte
No dia 19, faremos o Jogo da Morte, entre Uruguai e Inglaterra. Aquele que perder com certeza não garante vaga para as oitavas de final, e em caso de empate ambas as equipes perdem boas chances de avançar. Para nós, entretanto, será um jogo relativamente mais simples, já que haverá menos mesas, mais tempo e mais prática de nossa parte.


Que dê tudo certo, e que vença o melhor!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sobre o jogo e celulares

Uma vez que nosso Centro de Controle ainda estava sendo montado, tivemos uma folga, logo após nosso primeiro dia de trabalho. Por felicidade do destino, coincidiu com um dos poucos jogos antes da Copa no Itaquerão – Corinthians X Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro.

Em proveito a nossas belas credenciais, entramos de graça como funcionários, e pudemos desfrutar da melhor vista do campo de qualquer estádio, as cabines de narração. Não só assistimos a uma parte do jogo nas arquibancadas da imprensa como nos sentamos nas mesas de comentaristas para ver como eles enxergavam as partidas.

Foi a primeira vez que assisti a um jogo de times grandes. E a primeira partida em um estádio, também. O um a um pode ter sido decepcionante para toda uma nação, mas para mim foi especial, e ficará para sempre guardado em minhas memórias.

Lumia
Até porque todas as fotos incríveis e vídeos que eu fiz durante a partida se perderam. Saímos do Itaquerão e fomos ao Habib’s para jantar. Meu celular estava com pouca bateria, então deixei ele no bolso do moletom, onde nunca deixo nada, pois uso sempre os laterais da calça. Infelizmente fora assistir à partida com uma bermuda de apenas um bolso, que reservei para meus documentos.

Esse foi o fim do aparelho que fez as fantásticas fotografias dos posts mais antigos deste blog. Não sei se o esqueci em cima da mesa (o que é improvável, já que eu queria economizar bateria), se ele caiu ou se alguém realmente passou a mão nele. Só sei que o gatuno ainda aproveitou para logar no meu Facebook e no meu WhatsApp para fazer graça, o que me obrigou a bloquer o aparelho e o chip.

Fico feliz de saber que a última ligação que fiz com meu presente de 18 anos foi para o meu pai, no meio do jogo, com os urros da torcida ao fundo, para deixá-lo feliz com a oportunidade que estou tendo.

Isso fez com que eu perdesse temporariamente o acesso à minha conta no Google, razão de minha demora para atualizar o blog. Confesso que não imaginava como continuar com esses posts após perder minha principal ferramenta de trabalho (depois do cérebro), a qual já possuía excelente material para ser publicado aqui. Isso me deprimiu bastante por dois ou três dias, mas admito que não precisar cuidar constantemente de um gadget caro nem responder ao WhatsApp e ao Messenger a cada cinco minutos é libertador.

Às vezes estou com meus amigos conversando em um dos quartos e calha de todos ficarem em silêncio, fitando o visor ou digitando alguma resposta a alguém no celular. Começo a questionar se esse é um comportamento saudável. E humano.

Xing Ling
Para não ficar sem celular, aproveitei um dia em que fomos à 25 de Março para comprar uma réplica de Galaxy S3 Mini. Não dá para comparar com meu equipamento anterior, mas pelo menos ficarei em contato com as pessoas novamente, para casos como o do dia em que esqueci minha credencial e cheguei uma hora atrasado no serviço para tirar uma nova – se eu tivesse celular, teria economizado muito tempo.

domingo, 8 de junho de 2014

Primeira semana

Nunca poderia ter imaginado que o título desse blog seria tão aplicável à realidade dessa primeira semana em Itaquera. Perdido, de fato, foi como fiquei nos primeiros dias. Depois, a gente acaba se acostumando à realidade de estar em uma cidade grande na qual não se pode confiar nas pessoas.

Esse post e mais dois foram escritos no mesmo dia (7/6), mas serão publicados em datas diferentes, para separar os assuntos. Como o quarto livro de As Crônicas do Gelo e Fogo, os acontecimentos são simultâneos (com exceção do segundo). Neste post, tratarei da vida no trabalho; no segundo, do nosso primeiro domingo; no terceiro, da nossa vida na pousada.


Primeira semana

Saímos do centro universitário na sexta, no começo da noite, e chegamos à pousada de madrugada. No sábado de manhã, após nos registrarmos na Fatec (Faculdade de Tecnologia) ao lado do estádio, fomos ao nosso local de trabalho pela primeira vez: o imponente Itaquerão recebia seus fiéis torcedores, que faziam um esquenta para o jogo do dia seguinte, contra o Botafogo. Por todos os cantos havia pessoas tirando fotos, gritando “vai curintcha”, animados com a possibilidade de ver pela primeira vez o time do coração ganhar em casa.

Embora sejamos estagiários, nossas credenciais nos permitem acesso a dois terços do estádio (muito mais que vários outros contratados, do Itaquerão ou de outras empresas). Exploramos bem o lugar, e já estamos mais ou menos familiarizados.

Já no primeiro dia tivemos uma reunião com os rapazes que, em seguida ficaríamos sabendo, seriam nossos chefes: um inglês, um alemão, um canadense e, por sorte, um português, com quem podemos conversar mais à vontade, em nosso próprio idioma.

A comunicação flui bem, é fácil de entender praticamente 100% de tudo o que eles dizem (com exceção do canadense, que fala muito mais rápido; nesse caso, acredito que uns 75%). As instruções são transmitidas em linguagem (quase inteiramente) técnica, então aprendemos palavras e construções de frases novas todos os dias.

As tarefas nessa primeira semana não foram nem de longe o que esperávamos. Carregar caixas de mais de 250 quilos arquibancada acima, puxar cabos de transmissão do Centro de Controle às mesas de comentaristas (cerca de 130!), carregar cadeiras e organizar fios foram praticamente nossa ocupação durante esse período. O ambiente ali, porém, é tão bom, relax, que o tempo passa rápido e conseguimos nos divertir na realização desses serviços.


Além de tudo, podemos gastar nosso inglês à vontade com os alemães, franceses, belgas, e todos os outros funcionários de diferentes etnias que trocam ideias com a gente o dia inteiro, inclusive durante alguns churrascos promovidos por um dos nossos!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Outubro

Em pouco mais de 24 horas*, todos partiremos rumo aos nossos alojamentos em Itaquera! Um lapso fez com que me esquecesse de que possuía material para incrementar aquele primeiro post, sem precisar recorrer às imagens da assessoria da Unifae. Melhor corrigir esse erro. 

Foto coletiva momentos depois da última avaliação, no terceiro dia
Hotel
Poucos alunos eram do mesmo curso, e quase não havia amigos da mesma classe. Em suma, decididamente não nos conhecíamos uns aos outros ao entrar no ônibus para realizar o workshop na PUC, em outubro. A divisão no hotel foi quase aleatória, e dei sorte, peguei um bom colega de quarto.

Happy hour na Choperia Opção, depois do exaustivo primeiro dia
As interações eram tímidas, todos – há exceções, claro – com receio de se soltar. Logo na primeira noite depois do work-shop, no entanto, combinamos de sair, conhecer alguns pontos, guiados pelos mais ambientados à cidade grande, e as conversas começaram a aparecer.

Workshop
Inglês nunca foi tão fundamental. Apesar de nunca ter tido um ensino tradicional da língua, o meu interesse acabou me ajudando. Lá pelos meus 12 anos, depois de ter assistido aos filmes do Harry Potter algumas dezenas de vezes, resolvi assisti-los em inglês, com legenda também em inglês, e pesquisava o significado de palavra por palavra. Levei alguns dias para terminar a Pedra Filosofal, e parti para os outros. Esse tempo “gasto” fez com que eu nunca mais precisasse estudar para uma prova de inglês na vida!
 
Introdução ao tema - nenhuma palavra em português!
As partes teóricas foram explicadas por vídeos e palestras, sobre como funciona a estrutura do broadcasting da Copa, a organização das estruturas, como se dá a transmissão, e outras coisas mais. Nas partes práticas, recebíamos as instruções e executávamos da melhor maneira possível, fosse para dispor câmeras em um estádio simulado, fazer uma gravação de voz, ou narrar uma partida de futebol.

Simulação de narração de futebol
Ao final do terceiro dia, exames escritos e entrevistas. Todos já nos dávamos bem, e embora isso nos tranquilizasse, o nervosismo inerente da situação de estarmos sendo colocados à prova nos preocupava. O pior de tudo é que os resultados não sairiam menos de um mês depois, por e-mail. Tudo o que tínhamos era nossa autoavaliação. Mas o importante é que, preocupados ou não, já nos conhecíamos melhor.

Aulas em classe
Passeios
Alguns de nós estavam em São Paulo pela primeira vez. Não era meu caso, já havia visitado a capital em duas ou três ocasiões. Mesma coisa que nada. O metrô para mim continua objeto de fascínio, uma máquina futurística, intrigante. Bom, nem tanto, mas é mais ou menos essa a ideia.

"Quem vai ficar? Quem vai partir?"
O mais estranho é o comportamento dos paulistanos. Não conversam, não olham para o lado. Quando nosso grupinho entrou no trem, depois de um happy hour perto da Paulista, rindo e jogando conversa fora, imediatamente fomos saudados com olhares “hostis” – talvez não seja a melhor palavra, mas foi como interpretei – dos moradores da Terra da Garoa.

A mais paulista de todas as avenidas
Caminhar pela Avenida Paulista pela primeira vez foi sensacional, é um dos locais mais bonitos que já pude ver. A opulência dos prédios, a limpeza da visão (os fios dos postes lá são subterrâneos), a Livraria Cultura – leia-se: Parque de Diversões –, a Rua Augusta, a culinária, a variedade de sotaques, tudo me impactou profundamente.

Parada no shopping

Restaurante perto do hotel
No último dia só queríamos comer um prato de arroz com feijão – nosso apetite já não aguentava mais a dieta que estávamos fazendo.



*escrito na manhã de quinta-feira, 29 de maio.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Itaquerão

Itaquerão: o estádio da abertura da Copa
Depois de conhecer nossos alojamentos, não podíamos ficar sem ver o dito cujo, mesmo que pelo lado de fora das grades. De fato, é um colosso no meio do nada; apenas as obras de transporte o cercam. Assim que descemos da van já era possível ouvir o barulho da solda dos operários, que agora trabalham 24 horas por dia para finalizar o estádio.

Clicks do Tiburcio

Talvez um dia tenha a importância do
Morumbi para o futebol
Embora seu design seja “aberto”, percebemos que é impossível observar o gramado do lado de fora, não importa o quão alto você esteja. Foi feito para que os pagantes tenham a melhor visão possível do jogo, e os que ficarem do lado de fora só consigam ver as arquibancadas. É o fim daquela história de acompanhar a partida pelo buraco da cerca.

Agora que já foi devidamente inaugurado pelo gol de Giovanni Augusto, do Figueirense, responsável pela vitória contra o dono da casa (que terá uma última oportunidade no final do mês para ganhar a primeira no próprio estádio), o Itaquerão está pronto – ou 94% pronto – para receber os jogos do maior evento esportivo do mundo.


A estimativa para realmente ser finalizado é dezembro. Mas sabemos que é mais fácil receber o Papai Noel do que o estádio no prazo presumido.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Parque do Carmo


Fábio Tibúrcio, Matheus Lianda, Franco Jr. e Angélica Thomaz


Franco Jr., Fábio Tibúrcio, Profª Alice Orrú
e o Secretário Simão Pedro, ao fundo

Em agradecimento ao esforço empreendido pelo Secretário de Serviços Simão Pedro Chiovetti, que providenciou o alojamento dos estagiários do Unifae próximo à estação de metrô, os universitários compareceram à inauguração dos quatrocentos novos pontos de luz do Parque do Carmo, na região leste da cidade de São Paulo, na última segunda-feira, 12 de maio.


Angélica Thomaz, Matheus Lianda, Michael Douglas, Franco Jr.,
Profª Alice Orrú e Profº Luiz Antônio

Alguns dos postes utilizam a tecnologia de placas solares, o que reduz o consumo de eletricidade em aproximadamente 60%. 


Agora o parque poderá ficar aberto à noite para receber mais visitantes, principalmente neste momento em que o turismo tende a crescer significativamente.


Os alunos de comunicação aproveitaram a oportunidade para gravar entrevistas e fazer a cobertura fotográfica do evento.

Hugo Maciel grava em vídeo cada momento da viagem

Rafa Brunelli, Marcelo Gonçalves e Franco Jr. entrevistam o Secretário Simão Pedro
Em seguida, todos conhecemos as dependências onde viveremos por quarenta dias e visitamos nosso local de trabalho, o Itaquerão.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Quase lá!

Durante os últimos seis meses do ano passado, os alunos do Centro Universitário das Faculdades Associadas (Unifae), em São João da Boa Vista, passaram por um longo processo seletivo para conseguirem a tão almejada contratação para atuar na Copa do Mundo.

A Host Broadcast Services (HBS) tradicionalmente procura por universitários do país-sede para estagiarem no maior evento do mundo, e assim deixa um legado muito maior que estádios gigantes e um possível título de futebol: o conhecimento e aprimoramento dos futuros trabalhadores brasileiros.

Selecionados para a HBS em evento do Unifae
Seleção
Após o envio dos currículos e cartas de interesse, nós encaramos uma entrevista em inglês com o alto escalão da HBS. Aqueles que passaram por esse afunilamento puderam relaxar até o mês de outubro, quando foi realizado o workshop de três dias na PUC de São Paulo – onde mais concorrentes disputavam as limitadas vagas.

Aulas teóricas, práticas, avaliações escritas e orais permearam nossos dias, que terminavam em passeios pela capital e bagunças no hotel; somos profissionais, mas também somos jovens!




Alunos debatem opções de hospedagem, no Unifae
Preparação
A notícia de quem fora aprovado chegou algum tempo depois, e treze dos nossos estavam dentro. Iniciaram-se as reuniões para decidir onde nos hospedaríamos e como se daria o transporte até o Itaquerão.

Meses passaram, e não tínhamos decidido nada oficialmente. Al-guns pensaram em desistir pela incerteza, mas repensaram e permaneceram. Faltando pouco para que os primeiros viajassem, recebemos a notícia de que mais um de nós fora contratado, e nos tornamos quatorze.

Hoje, com o contrato fechado e os uniformes sob medida em produção, quatro estudantes do Unifae já estão alojados em São Paulo e começaram suas atividades com a HBS. Na segunda-feira iremos até lá para visita-los e participar da inauguração da iluminação externa do estádio.


Falta pouco!