terça-feira, 8 de julho de 2014

Die Mannschaft

Eu aprendi a gostar de futebol de pequeno. Meu primeiro contato marcante foi o título de 2002. Acordava cedo – a Copa foi do outro lado do mundo – para ir para a casa do meu avô acompanhar a Seleção com minha família.

E vencemos. Eu lembro da festa, da felicidade, da união de um povo. Uma união que nenhuma igreja, nenhum partido, nem música nem qualquer forma de arte (ou esporte) consegue reproduzir.

Um país de quase 180 milhões de pessoas gritava em uníssono: “PENTACAM-PEÃO!"

Depois, muitas alegrias com o tricolor paulista, em sua grande época (2005-2008), consolidaram meu amor ao futebol.

Alemanha
Hoje assisti ao jogo da Alemanha em uma televisão na nossa sala de controle, ao lado de meus amigos e colegas de trabalho, no Itaquerão. Onde o Brasil ven-ceu a Croácia na abertura da Copa.

Surreal. Não sabia se era um pesadelo ou se realmente o time pelo qual eu tanto torci levava cinco gols em 10 minutos. Atrás de mim, meu chefe alemão sorria, feliz com seu país, mas respeitando profundamente o nosso pesar.

Assim como a seleção alemã respeitou o Brasil durante os 90 minutos. Em ne-nhum momento subestimaram, esnobaram ou zombaram dos brasileiros. Pelo contrário, permitiram que Oscar fizesse o gol de honra para os canarinhos, para depois voltarem a marcar corretamente.

Culpados
Procurar culpados é desgastante e inútil, além de falta de respeito com os atle-tas. Fred teve oportunidades e não conseguiu converter – assim como todos os outros. Isso não muda o fato de que ele chama a marcação para si na área e li-bera espaço para os demais.

Hulk não fez uma grande partida hoje – mas nas últimas duas foi um dos des-taques do time, e ninguém pode estar 100% sempre. Dante fez o que precisava ser feito; infelizmente, a Alemanha encontrou o caminho do gol e aproveitou os minutos de desequilíbrio brasileiro.

Thiago Silva levou um cartão bobo contra a Colômbia, e foi um desfalque impor-tante; mas até então, sempre um dos melhores em campo, quando não o melhor.

Felipão errou. No jogo e na escalação. Mas se não fosse ele, nem semifinais te-ríamos alcançado, com certeza. Dê valor na comissão técnica brasileira. Se eles não conseguiram resolver, não há quem pudesse.

Futebol é isso. Quando se entra em campo, sabe-se do risco de derrota. Podiam fazer como o Tigre, que na final da Sul-Americana de 2012 se recusou a entrar em campo contra o São Paulo. O Brasil, mesmo perdendo de cinco, voltou com fome de gols, esbarrando em Neuer.

Destaques
Melhor é consagrar os heróis da nossa Copa. Os sete gols indefensáveis que Júlio César levou hoje não apagam os dois pênaltis que conseguiu pegar contra o Chile. Aliás, mesmo contra a Alemanha teve uma atuação incrível.

Neymar não precisa se tornar um mártir pela mídia para ter seu mérito reco-nhecido. Ele jogou bem, e ainda terá mais copas pela frente para provar seu ta-lento. Fez falta hoje, com certeza.

Os dois jogadores símbolos da Seleção dessa geração com certeza estão ali no fundo, perto do gol. Thiago Silva, o capitão, e David Luiz – capitão. Sem eles não teríamos ido tão longe.

São os melhores zagueiros da Copa em minha humilde opinião, assim como Tim Howard, dos EUA, é o melhor goleiro (fiz essa comparação para não dizerem que estou puxando o saco do Brasil).

A grande vergonha do dia: fora de campo
Ao entrar na internet, vi as coisas horríveis que aconteceram pós-jogo. Brigas, prisões, ferimentos, depredações, vandalismo e a mais nojenta de todas: a quei-ma da bandeira do Brasil.

Como escrevi no começo, o futebol é uma paixão para mim. Pesquiso, acom-panho, discuto, jogo. Mas é um jogo, e eu encaro como tal. Ri das piadas dos alemães hoje no estádio, encarei com tristeza, mas sem raiva. Foi um jogo limpo. Um jogo.

Sinto muita pena de quem encara o Brasil apenas pela ótica da Seleção. Somos muito mais que futebol, isso é apenas uma parte de nossa enorme e diversi-ficada cultura. Somos o povo mais miscigenado do mundo. Nos damos bem em tudo que tentamos, sempre há um brasileiro que se destaca nos campos das artes, dos esportes, da mídia...

Queimar a bandeira é queimar tudo isso. Ela é o símbolo máximo da nação, a síntese do país. Quem fez isso, quem queimou ônibus, feriu outras pessoas, não merece ser chamado de cidadão. Não merece ser brasileiro.

Muito melhor ver as piadas no Facebook e no WhatsApp, uma mais criativa que a outra. Isso sim é o jeito brasileiro de encarar os problemas. Com graça, alegria, inovação. Com a capacidade de amenizar o choque, de fazer rir mesmo em um dia tão triste.

A Copa ainda é aqui. Nós podemos fazer melhor que isso.


De tão acostumado a vencer, o brasileiro ainda não aprendeu a perder?

domingo, 6 de julho de 2014

O fim está próximo

Desde que fomos selecionados para participar do workshop na PUC, em outubro, recebemos mensalmente, por e-mail, um jornal da empresa em que trabalhamos, o qual traz informações e notícias de todas os estádios e equipes que traba-lham para a realização da transmissão da Copa do Mundo.

Essa semana recebi um pedido para escrever um depoimento sobre essa experi-ência, meus aprendizados, o que levarei disso para a vida, para ser publicado na última edição desse periódico. Enfim, nada poderia melhor simbolizar a iminente chegada do fim.

O depoimento ficou meio genérico, puxei o saco da empresa, escrevi o que acre-dito que eles queiram publicar. Mas posso redigir aqui algumas linhas sobre o que realmente foi essa oportunidade para mim.

Trabalho
A empresa, de fato, é demais. Não consigo pensar em alguma outra que possa ser tão atenciosa com seus empregados, que disponibilize tantos recursos para que nos sintamos absolutamente confortáveis para desempenhar nossas funções.

Sério, nós temos Coca, cookies, Del Valle e barras de cereal de graça o dia in-teiro; ganhamos uma mala e uma mochila com vários conjuntos de uniformes – inclui colete, chapéu, calças, bermuda, moletom, jaqueta, camisetas e polos; temos o horário de trabalho mais flexível do mundo (combinado ao final de cada dia); podemos decidir entre nós como realizar cada tarefa... e assim vai, por inú-meras benesses diárias ao longo desse espaço de tempo.

Estrelas
Eu assisti com meus próprios olhos a Messi, Courtois, Neymar, Robben, David Luiz, Sneijder, Suárez, Hazard, Shaqiri, Alexis Sánchez e Modric, além dos muitos outros que estou injustamente deixando de fora.

Conheci, apertei a mão e tirei fotos com Datena, Denílson, Loco Abreu, Nivaldo Prieto, Ronaldo Giovanelli e Neto. Vi-os em ação, narrando e comentando, bem como a vários outros jornalistas esportivos top de linha.

São Paulo
Conheci vários lugares de São Paulo junto com meus colegas e aprendi a me locomover na terceira maior cidade do mundo. Acompanhei uma etapa do TCC de dois grandes amigos meus, que entrevistaram um conceituado jornalista espor-tivo aqui em São Paulo (essa experiência usarei daqui a dois anos, quando fizer o meu próprio trabalho!).

Entendi, ou pelo menos pude ver, como funciona a logística da organização do maior evento esportivo do mundo. Fiz, junto com os outros estagiários, o Ita-querão ficar pronto a tempo de receber a abertura da Copa – acreditem, isso aconteceu devido a muito, muito esforço nosso!

2014 para mim será eternamente o ano da Copa. O ano em que absorvi muito conhecimento em pouquíssimo tempo. Em que fiquei mais tempo fora de casa. Em que pude reavaliar quaisquer limites que porventura ainda não tivesse superado.

Última semana
E tudo isso acaba essa semana, meu contrato se encerra no dia 10 de julho. Amanhã, aliás, é nossa “formatura”! Alguns representantes da FIFA estarão em nosso ambiente de trabalho, dirão algumas palavras, nos entregarão um certi-ficado – o qual será imediatamente destacado em meu currículo.

Antes do fim, faremos o melhor jogo dos seis que tivemos o privilégio de acom-panhar: Argentina X Holanda. Desculpem-me todos, mas dessa vez torcerei para nuestros hermanos. Vamos reservar o melhor para o final – vencê-los nós mes-mos!

Meu trabalho acabará, mas a Copa ainda durará mais um pouco. Força, Brasil! Que essa seja a final das finais. Brasil X Argentina – sem medo de outro Mara-canazo.