quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Perdido em Itaquera - O Retorno

Tudo o que é bom, dura pouco!

A Copa do Mundo deixou saudades, mas as experiências que vivi há um ano e meio estão ainda nítidas. Lembro-me como se fosse hoje, mais cedo, do último dia de trabalho, adentrando o campo com meu amigo Mateus Lamberti para que tirássemos cada um a sua foto no gramado do Itaquerão, enquanto uma leve chuva caía.

E como esquecer dos meus supervisores, Kay e Hugo, de personalidades tão marcantes, nos ensinando a trabalhar na transmissão do maior evento esportivo? Que saudades da HBS!

Olimpíadas
Em 2015, pude participar da seleção para trabalhar na OBS (Olympic Broadcasting Services) e hoje recebi um e-mail informando de que fui aceito para trabalhar novamente no bom e velho Itaquerão! A alegria que sinto agora é inexplicável. Só de imaginar que poderei viver novamente o clima de um evento semelhante, perco as palavras!


Não sei se é coincidência poder trabalhar ali de novo. Foi a época mais marcante da minha vida. Dessa vez, estou um pouco mais experiente, carregando valiosas dicas dos meus superiores da Copa:

        Nunca pare de estudar inglês
        Sempre sorria e seja cordial
        Você é tão bom quanto o último trabalho que fez

Não são segredos, nem técnicas, mas estão em minha cabeça desde então. Valem ouro!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Die Mannschaft

Eu aprendi a gostar de futebol de pequeno. Meu primeiro contato marcante foi o título de 2002. Acordava cedo – a Copa foi do outro lado do mundo – para ir para a casa do meu avô acompanhar a Seleção com minha família.

E vencemos. Eu lembro da festa, da felicidade, da união de um povo. Uma união que nenhuma igreja, nenhum partido, nem música nem qualquer forma de arte (ou esporte) consegue reproduzir.

Um país de quase 180 milhões de pessoas gritava em uníssono: “PENTACAM-PEÃO!"

Depois, muitas alegrias com o tricolor paulista, em sua grande época (2005-2008), consolidaram meu amor ao futebol.

Alemanha
Hoje assisti ao jogo da Alemanha em uma televisão na nossa sala de controle, ao lado de meus amigos e colegas de trabalho, no Itaquerão. Onde o Brasil ven-ceu a Croácia na abertura da Copa.

Surreal. Não sabia se era um pesadelo ou se realmente o time pelo qual eu tanto torci levava cinco gols em 10 minutos. Atrás de mim, meu chefe alemão sorria, feliz com seu país, mas respeitando profundamente o nosso pesar.

Assim como a seleção alemã respeitou o Brasil durante os 90 minutos. Em ne-nhum momento subestimaram, esnobaram ou zombaram dos brasileiros. Pelo contrário, permitiram que Oscar fizesse o gol de honra para os canarinhos, para depois voltarem a marcar corretamente.

Culpados
Procurar culpados é desgastante e inútil, além de falta de respeito com os atle-tas. Fred teve oportunidades e não conseguiu converter – assim como todos os outros. Isso não muda o fato de que ele chama a marcação para si na área e li-bera espaço para os demais.

Hulk não fez uma grande partida hoje – mas nas últimas duas foi um dos des-taques do time, e ninguém pode estar 100% sempre. Dante fez o que precisava ser feito; infelizmente, a Alemanha encontrou o caminho do gol e aproveitou os minutos de desequilíbrio brasileiro.

Thiago Silva levou um cartão bobo contra a Colômbia, e foi um desfalque impor-tante; mas até então, sempre um dos melhores em campo, quando não o melhor.

Felipão errou. No jogo e na escalação. Mas se não fosse ele, nem semifinais te-ríamos alcançado, com certeza. Dê valor na comissão técnica brasileira. Se eles não conseguiram resolver, não há quem pudesse.

Futebol é isso. Quando se entra em campo, sabe-se do risco de derrota. Podiam fazer como o Tigre, que na final da Sul-Americana de 2012 se recusou a entrar em campo contra o São Paulo. O Brasil, mesmo perdendo de cinco, voltou com fome de gols, esbarrando em Neuer.

Destaques
Melhor é consagrar os heróis da nossa Copa. Os sete gols indefensáveis que Júlio César levou hoje não apagam os dois pênaltis que conseguiu pegar contra o Chile. Aliás, mesmo contra a Alemanha teve uma atuação incrível.

Neymar não precisa se tornar um mártir pela mídia para ter seu mérito reco-nhecido. Ele jogou bem, e ainda terá mais copas pela frente para provar seu ta-lento. Fez falta hoje, com certeza.

Os dois jogadores símbolos da Seleção dessa geração com certeza estão ali no fundo, perto do gol. Thiago Silva, o capitão, e David Luiz – capitão. Sem eles não teríamos ido tão longe.

São os melhores zagueiros da Copa em minha humilde opinião, assim como Tim Howard, dos EUA, é o melhor goleiro (fiz essa comparação para não dizerem que estou puxando o saco do Brasil).

A grande vergonha do dia: fora de campo
Ao entrar na internet, vi as coisas horríveis que aconteceram pós-jogo. Brigas, prisões, ferimentos, depredações, vandalismo e a mais nojenta de todas: a quei-ma da bandeira do Brasil.

Como escrevi no começo, o futebol é uma paixão para mim. Pesquiso, acom-panho, discuto, jogo. Mas é um jogo, e eu encaro como tal. Ri das piadas dos alemães hoje no estádio, encarei com tristeza, mas sem raiva. Foi um jogo limpo. Um jogo.

Sinto muita pena de quem encara o Brasil apenas pela ótica da Seleção. Somos muito mais que futebol, isso é apenas uma parte de nossa enorme e diversi-ficada cultura. Somos o povo mais miscigenado do mundo. Nos damos bem em tudo que tentamos, sempre há um brasileiro que se destaca nos campos das artes, dos esportes, da mídia...

Queimar a bandeira é queimar tudo isso. Ela é o símbolo máximo da nação, a síntese do país. Quem fez isso, quem queimou ônibus, feriu outras pessoas, não merece ser chamado de cidadão. Não merece ser brasileiro.

Muito melhor ver as piadas no Facebook e no WhatsApp, uma mais criativa que a outra. Isso sim é o jeito brasileiro de encarar os problemas. Com graça, alegria, inovação. Com a capacidade de amenizar o choque, de fazer rir mesmo em um dia tão triste.

A Copa ainda é aqui. Nós podemos fazer melhor que isso.


De tão acostumado a vencer, o brasileiro ainda não aprendeu a perder?

domingo, 6 de julho de 2014

O fim está próximo

Desde que fomos selecionados para participar do workshop na PUC, em outubro, recebemos mensalmente, por e-mail, um jornal da empresa em que trabalhamos, o qual traz informações e notícias de todas os estádios e equipes que traba-lham para a realização da transmissão da Copa do Mundo.

Essa semana recebi um pedido para escrever um depoimento sobre essa experi-ência, meus aprendizados, o que levarei disso para a vida, para ser publicado na última edição desse periódico. Enfim, nada poderia melhor simbolizar a iminente chegada do fim.

O depoimento ficou meio genérico, puxei o saco da empresa, escrevi o que acre-dito que eles queiram publicar. Mas posso redigir aqui algumas linhas sobre o que realmente foi essa oportunidade para mim.

Trabalho
A empresa, de fato, é demais. Não consigo pensar em alguma outra que possa ser tão atenciosa com seus empregados, que disponibilize tantos recursos para que nos sintamos absolutamente confortáveis para desempenhar nossas funções.

Sério, nós temos Coca, cookies, Del Valle e barras de cereal de graça o dia in-teiro; ganhamos uma mala e uma mochila com vários conjuntos de uniformes – inclui colete, chapéu, calças, bermuda, moletom, jaqueta, camisetas e polos; temos o horário de trabalho mais flexível do mundo (combinado ao final de cada dia); podemos decidir entre nós como realizar cada tarefa... e assim vai, por inú-meras benesses diárias ao longo desse espaço de tempo.

Estrelas
Eu assisti com meus próprios olhos a Messi, Courtois, Neymar, Robben, David Luiz, Sneijder, Suárez, Hazard, Shaqiri, Alexis Sánchez e Modric, além dos muitos outros que estou injustamente deixando de fora.

Conheci, apertei a mão e tirei fotos com Datena, Denílson, Loco Abreu, Nivaldo Prieto, Ronaldo Giovanelli e Neto. Vi-os em ação, narrando e comentando, bem como a vários outros jornalistas esportivos top de linha.

São Paulo
Conheci vários lugares de São Paulo junto com meus colegas e aprendi a me locomover na terceira maior cidade do mundo. Acompanhei uma etapa do TCC de dois grandes amigos meus, que entrevistaram um conceituado jornalista espor-tivo aqui em São Paulo (essa experiência usarei daqui a dois anos, quando fizer o meu próprio trabalho!).

Entendi, ou pelo menos pude ver, como funciona a logística da organização do maior evento esportivo do mundo. Fiz, junto com os outros estagiários, o Ita-querão ficar pronto a tempo de receber a abertura da Copa – acreditem, isso aconteceu devido a muito, muito esforço nosso!

2014 para mim será eternamente o ano da Copa. O ano em que absorvi muito conhecimento em pouquíssimo tempo. Em que fiquei mais tempo fora de casa. Em que pude reavaliar quaisquer limites que porventura ainda não tivesse superado.

Última semana
E tudo isso acaba essa semana, meu contrato se encerra no dia 10 de julho. Amanhã, aliás, é nossa “formatura”! Alguns representantes da FIFA estarão em nosso ambiente de trabalho, dirão algumas palavras, nos entregarão um certi-ficado – o qual será imediatamente destacado em meu currículo.

Antes do fim, faremos o melhor jogo dos seis que tivemos o privilégio de acom-panhar: Argentina X Holanda. Desculpem-me todos, mas dessa vez torcerei para nuestros hermanos. Vamos reservar o melhor para o final – vencê-los nós mes-mos!

Meu trabalho acabará, mas a Copa ainda durará mais um pouco. Força, Brasil! Que essa seja a final das finais. Brasil X Argentina – sem medo de outro Mara-canazo.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

FDS

Preciso me apropriar de um clichê para começar esse post: não há lugar como o lar.

Após o jogo da Bélgica X Coreia do Sul, voltei para minha terra, São João da Boa Vista, para rever minha família e meus amigos. Aproveitei até para sair à noite – estranho deixar de dar rolê em Sampa para andar em São João, não é? Mas foi muito bom!

Poder assistir ao jogo do Brasil em casa não teve preço. Tudo bem, estou vendo os jogos ao vivo, no estádio, é incrível e único. Mas passar a Copa inteira sem torcer pela Seleção ao lado da família? Não rola.

Além de tudo, tive a oportunidade de sair com uma grande amiga e conhecer um velho ídolo das revistas Guitar Player, a qual eu colecionei por vários anos – Edu Ardanuy. Vê-lo tocar guitarra na minha frente, e ensinar um pouco de tudo o que sabe, ali no Theatro Municipal maravilhoso de São João, foi memorável.

Também não faltou o fute com os parças, que era aquilo pelo que eu mais ansi-ava. Não estou tão fora de forma quanto pensava, ainda dá para brincar. Imagina após a Copa...

“Próxima estação: Sé.”
Depois que se pega mais ou menos o jeito da capital, a cidade pequena vira brincadeira... tive que rir quando atravessei a avenida mais “movimentada” de São João sem precisar esperar sequer um segundo na calçada.

E que falta o metrô faz! Está certo que não é nem de longe necessário na mi-nha cidade, mas já se tornou o meio de transporte mais eficiente de todos na minha opinião.  O uso diário fez com que o bicho de sete cabeças que eu imagi-nava que fosse tenha se tornado indispensável para uma boa locomoção.

Vale dizer que em horário de pico, a “hora do rush”, é um inferno, principal-mente próximo das baldeações. Quando se carrega malas ou sacolas então, es-tresse absoluto. Tirando isso, perfeito.

Hermanos
Nossos vizinhos estão no Shopping Itaquera comprando camisetas azuis e bran-cas. Com certeza, daqui a pouco o Itaquerão estará assim, dicromático, com al-guns pontos vermelhos nas arquibancadas.


Os últimos momentos das oitavas-de-final já estão acontecendo, e faremos Argentina X Suíça hoje! Como o tempo passa rápido. Talvez os posts desse blog adquiram um tom mais nostálgico nos próximos dez dias!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Vermelhos X Laranjas: a mecânica do serviço

Sim, lá estava Robben com seus 30 anos e duas Copas nas costas, correndo de modo a deixar para trás qualquer moleque. A Holanda começou o jogo com alguns erros infantis de passes, o Chile estudava muito antes de tomar uma decisão, mas... jogão.

Durante o segundo tempo cuidei da mixagem de nove emissoras licenciadas de rádio e TV, entre elas as brasileiríssimas Rádio Globo e Rádio Manchete – nas quais, claro, eu acompanhei o áudio da programação por mais tempo.

Se alguém tiver ouvido ao jogo por elas e tiver percebido as vozes muito baixas, ou cada uma em um volume diferente, é comigo que devem reclamar!

No mais, já aprendemos a lidar com os comentaristas, como o que reclama que o teste de áudio do PA está muito alto, o que quer separar seu canal dos outros dois comentaristas da mesma emissora ou o que acha que o sonido do estádio está apenas em seu fone. A paciência e o sorriso no rosto devem ser mantidos a todo custo.

Meu enferrujado espanhol dispara várias palavras em inglês, e eu tenho pedido sorry para os brasileiros. Inevitável que isso aconteça, cada pessoa com que se esbarra no corredor parece ser de um país diferente. Perguntas como “a que horas o stadium close?” ou “onde está a white tape?” ocorrem algumas vezes entre nós. Só nos resta rir e tentar entender.

Aniversário
Amanhã é meu aniversário e onde vou passar a comemoração? Sim, na Sala de Controle de Comentários (CCR). Como será a preparação para uma partida peque-na para a gente (não em termos de público ou importância), só entraremos às 13h, o que já é um excelente presente.

Mas afinal, como posso reclamar, se pude conhecer e tirar fotos com Denílson e Nivaldo Prieto dessa vez? Junte com as de Neto e Loco Abreu e tenho presen-tes inegociáveis e invendáveis – não, não vou dizer “e imprestáveis”!

Teremos um bom espaço de tempo entre o jogo Bélgica X Coreia e o do dia 1º. Planejo voltar novamente à São João, por três dias que seja, para rever o pes-soal, jogar um fute, renovar as energias e voltar com tudo para o jogo de terça.


Courtois e Hazard na quinta-feira. É o estágio dos sonhos.

sábado, 21 de junho de 2014

O Jogo da Morte

O segundo jogo cujos comentários ficaram sob nossa responsabilidade foi nada mais nada menos que o Jogo da Morte entre Uruguai e Inglaterra, no qual a es-trela de Suárez brilhou mais forte que a constelação inglesa.

Nosso trabalho foi absurdamente mais simples que o do primeiro jogo (Brasil X Croácia). Uma parte das tribunas de imprensa já foi removida do estádio, o que facilita nossa locomoção entre elas e agiliza nosso atendimento aos comenta-ristas. A única coisa que jogava contra era o frio gélido que nos atingia pelos ventos, ali na parte mais alta das arquibancadas.

Mas o jogo e a torcida incendiaram o campo de tal forma que nem se estivesse nevando eu deixaria meu posto lá fora durante o segundo tempo. Antes do gol de empate de Rooney a partida estava prestes a se tornar morna, mas depois daquele golaço, fruto de um posicionamento preciso do ataque inglês, tudo vol-tou ao clima de vencer ou sair da Copa.

A Inglaterra tornou-se eficiente de uma hora para a outra, penetrando na área adversária constantemente e com menos dificuldade. O Uruguai, no entanto, servindo-se de uma hora ruim da zaga britânica, mostrou porque tem a melhor dupla de ataque dessa edição (Suárez e Cavani) e despejou um balde de água fria nos torcedores ingleses.

Destaque para o verdadeiro show que a torcida uruguaia brindou aos jogadores, já que permaneceram em festa no Itaquerão por vários minutos após o apito final, pulando, cantando e celebrando a vitória nas arquibancadas – diferente-mente de certa torcida cuja seleção também saiu vitoriosa aqui em São Paulo, mas sem a mesma empolgação...

Neto e Loco Abreu
Dessa vez, aproveitei ao máximo a vantagem de estar no estágio dos sonhos de qualquer amante de esporte: conheci meus ídolos da área.

Temos cerca de duas horas depois de cada jogo para guardar os equipamentos disponibilizados aos comentaristas. Esse tempo é longo dessa maneira porque muitos precisam fazer links depois do término para falar da partida em algum programa.

Conforme as tribunas se esvaziavam, pude avistar o Neto, ícone do esporte nacional e do jornalismo esportivo pela Band. Continuei meu trabalho, mas marquei sua posição e passei a retirar só os aparelhos próximos de seu setor. Por sorte, esbarrei nele no vomitório, e pude tirar a foto – algo expressamente NÃO recomendado por meus chefes. Mas o jornalista (no meu caso, estudante de jornalismo) acima de tudo deve ser cara-de-pau. Pelo menos eu aprendi assim. Então aproveitei a oportunidade e tirei a selfie bem na hora em que um de meus supervisores passava. Ainda bem que ele é gente fina!

Outro que eu sabia que estava comentando a partida como convidado de uma TV uruguaia era Loco Abreu, que se destacou na Copa de 2010 pela famosa cavadinha em um pênalti decisivo para o Uruguai. Tirei uma foto dele conce-dendo uma entrevista antes do jogo e uma depois, comigo, também quando ele saía das tribunas. Essa eu dei o azar de tirar na frente do número 2 da empresa... mas por sorte ele também é mente aberta, e entendeu que eu não postaria ela publicamente, que era apenas uma relíquia.

Será que no próximo jogo rola alguma outra foto? Pode não parecer, mas co-nhecer esses caras e apertar suas mãos é realmente algo especial!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Finalmente, Brasil!

Vou deixar o post sobre a primeira semana de convivência na pousada para depois, para publicar dois mais urgentes antes... nada mudou radicalmente, não fará diferença!

Finalmente, Brasil!

O primeiro jogo sob nossa responsabilidade havia chegado. Um dia antes, as seleções de Brasil e Croácia já tinham feito os treinos no Itaquerão, enquanto nossa equipe realizava alguns testes de áudio, de modo que eu já tinha feito o primeiro contato com os jogadores – de longe, muito longe, não se enganem.

Mesmo assim, o coração bate mais forte. Ali estavam David Luiz, Neymar, Marcelo, Hulk, Júlio César... ali, na minha frente. Os jogadores que eu vejo na TV diariamente. É difícil de explicar. A ficha não cai.

Abertura
Ao sair de nossa sala de controle, podemos cruzar um corredor e sair nas tribunas de imprensa do estádio, nas arquibancadas que não são filmadas pela televisão. Acredito que lá haja a melhor vista de todas do campo, totalmente limpa e ampla, sem pontos cegos ou difíceis de avistar. O acesso se dá por meio dos vomitórios, as enormes entradas de ligação estádio-arquibancada.

Para ser justo com todo mundo, procuramos revezar: no primeiro tempo metade da equipe trabalha na sala de controle e metade no campo, auxiliando os comentaristas. No segundo tempo, invertemos.

No jogo do Brasil, fiquei durante o primeiro tempo na tribuna. Pude ver com meus próprios olhos a abertura, tão criticada pela imprensa em geral, mas ao mesmo tempo impressionante para quem estava lá. Passamos meses ouvindo a música-tema da Copa, e quando assistimos ao show com Cláudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull em um estádio com 60 mil pessoas, não pudemos ficar impassíveis (mesmo que a música não seja realmente grande coisa, e tenham usado um playback).

O que realmente toca o coração é o Hino Nacional. Confesso que chorei ao ouvi-lo, nunca estive em uma execução tão bonita. Todos sabiam que o Hino pararia e a torcida continuaria cantando, mas fazer parte é diferente. Isso marca.

Trabalho
Os comentaristas precisam de ajuda em coisas básicas, ocupam bem nosso tempo. Não vi o primeiro gol (contra, mas só fiquei sabendo disso depois), nem o segundo – esse vi mais ou menos, com o canto do olho. Mas comemorei bastante ao perceber a bola na rede!

Ser confundido com voluntário é praxe. Apesar de não fazer parte do nosso trabalho, acabamos por ajudar os locutores a encontrar suas posições, por exemplo, até porque temos o mapa já meio decorado na cabeça. Eles são muito gentis, inclusive, pelo menos a maioria.

No segundo tempo, fui para a sala de controle, onde tomamos conta da mixagem de 10 mesas de comentaristas ao mesmo tempo, cada um. Depois de ajustados uma vez, com o nível de voz de cada narrador balanceado, o trabalho se torna mais simples, embora precise de constante vigilância. Evidentemente, na hora do gol não há muito o que se fazer: os áudios – principalmente dos sul-americanos – vão todos para o vermelho.

Jogo da Morte
No dia 19, faremos o Jogo da Morte, entre Uruguai e Inglaterra. Aquele que perder com certeza não garante vaga para as oitavas de final, e em caso de empate ambas as equipes perdem boas chances de avançar. Para nós, entretanto, será um jogo relativamente mais simples, já que haverá menos mesas, mais tempo e mais prática de nossa parte.


Que dê tudo certo, e que vença o melhor!