segunda-feira, 16 de junho de 2014

Finalmente, Brasil!

Vou deixar o post sobre a primeira semana de convivência na pousada para depois, para publicar dois mais urgentes antes... nada mudou radicalmente, não fará diferença!

Finalmente, Brasil!

O primeiro jogo sob nossa responsabilidade havia chegado. Um dia antes, as seleções de Brasil e Croácia já tinham feito os treinos no Itaquerão, enquanto nossa equipe realizava alguns testes de áudio, de modo que eu já tinha feito o primeiro contato com os jogadores – de longe, muito longe, não se enganem.

Mesmo assim, o coração bate mais forte. Ali estavam David Luiz, Neymar, Marcelo, Hulk, Júlio César... ali, na minha frente. Os jogadores que eu vejo na TV diariamente. É difícil de explicar. A ficha não cai.

Abertura
Ao sair de nossa sala de controle, podemos cruzar um corredor e sair nas tribunas de imprensa do estádio, nas arquibancadas que não são filmadas pela televisão. Acredito que lá haja a melhor vista de todas do campo, totalmente limpa e ampla, sem pontos cegos ou difíceis de avistar. O acesso se dá por meio dos vomitórios, as enormes entradas de ligação estádio-arquibancada.

Para ser justo com todo mundo, procuramos revezar: no primeiro tempo metade da equipe trabalha na sala de controle e metade no campo, auxiliando os comentaristas. No segundo tempo, invertemos.

No jogo do Brasil, fiquei durante o primeiro tempo na tribuna. Pude ver com meus próprios olhos a abertura, tão criticada pela imprensa em geral, mas ao mesmo tempo impressionante para quem estava lá. Passamos meses ouvindo a música-tema da Copa, e quando assistimos ao show com Cláudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull em um estádio com 60 mil pessoas, não pudemos ficar impassíveis (mesmo que a música não seja realmente grande coisa, e tenham usado um playback).

O que realmente toca o coração é o Hino Nacional. Confesso que chorei ao ouvi-lo, nunca estive em uma execução tão bonita. Todos sabiam que o Hino pararia e a torcida continuaria cantando, mas fazer parte é diferente. Isso marca.

Trabalho
Os comentaristas precisam de ajuda em coisas básicas, ocupam bem nosso tempo. Não vi o primeiro gol (contra, mas só fiquei sabendo disso depois), nem o segundo – esse vi mais ou menos, com o canto do olho. Mas comemorei bastante ao perceber a bola na rede!

Ser confundido com voluntário é praxe. Apesar de não fazer parte do nosso trabalho, acabamos por ajudar os locutores a encontrar suas posições, por exemplo, até porque temos o mapa já meio decorado na cabeça. Eles são muito gentis, inclusive, pelo menos a maioria.

No segundo tempo, fui para a sala de controle, onde tomamos conta da mixagem de 10 mesas de comentaristas ao mesmo tempo, cada um. Depois de ajustados uma vez, com o nível de voz de cada narrador balanceado, o trabalho se torna mais simples, embora precise de constante vigilância. Evidentemente, na hora do gol não há muito o que se fazer: os áudios – principalmente dos sul-americanos – vão todos para o vermelho.

Jogo da Morte
No dia 19, faremos o Jogo da Morte, entre Uruguai e Inglaterra. Aquele que perder com certeza não garante vaga para as oitavas de final, e em caso de empate ambas as equipes perdem boas chances de avançar. Para nós, entretanto, será um jogo relativamente mais simples, já que haverá menos mesas, mais tempo e mais prática de nossa parte.


Que dê tudo certo, e que vença o melhor!

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